Nas relações sociais, muitas vezes sentimos que devemos concordar com alguém para validarmos o que o outro sente. Mas a verdade é mais sutil e, ao mesmo tempo, libertadora. A empatia, ao contrário do que alguns imaginam, não significa concordar. Ela vai além da aprovação ou da discordância. Envolve o ato de compreender, de realmente se conectar com aquela experiência emocional do outro, sem necessariamente assumir o mesmo ponto de vista. Este detalhe faz toda a diferença na qualidade dos nossos vínculos e no modo como construímos sociedades mais maduras.
O que é empatia de verdade?
A empatia é a capacidade de reconhecer e compreender os sentimentos, emoções e experiências do outro, sem confundir com nossos próprios julgamentos ou necessidades. Em nossas conversas sobre psicologia, percebemos que muitas vezes as pessoas confundem empatia com ser sempre positivo ou com aceitar absolutamente tudo o que o outro pensa. Ter empatia é, acima de tudo, abrir espaço para a escuta e para o entendimento emocional.
Podemos ilustrar isso lembrando de situações cotidianas. Quem nunca enxergou um amigo pedindo conselho e ficou tentado a cortar o relato, oferecendo rapidamente uma solução ou mesmo mudando de assunto? Somos condicionados a resolver, a concordar ou discordar. Mas a empatia pede outro movimento: o de se colocar, mesmo que brevemente, no lugar desse amigo. Sentir o que ele sente, sem julgar nem tomar para si aquela emoção.
Por que confundimos empatia com concordância?
A confusão entre empatia e concordância é fácil de acontecer por conta da forma como fomos educados. Para muitos, apoiar alguém significa dizer “sim”, estar do mesmo lado, compartilhar a mesma opinião. Mas, quando analisamos as estruturas emocionais das relações sociais, notamos que a maturidade exige um passo a mais.
- Empatia é reconhecimento da emoção alheia;
- Concordância é alinhamento de opinião, juízo ou proposta;
- Podemos praticar empatia mesmo em meio à discordância;
- Empatia preserva e amplia a confiança, enquanto a concordância apenas reforça o elo lógico ou racional.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) destacou esse ponto ao propor o tema da redação do Enem 2020: "A falta de empatia nas relações sociais no Brasil". Isso trouxe à tona a diferença entre ter empatia e apenas concordar.
Exemplos práticos para diferenciar
Em nossa experiência, trabalhamos com situações reais onde essa diferença se faz importante:
- Uma mãe compreende a dor do filho diante da frustração escolar, mesmo sem acreditar que a escola é injusta. Ela acolhe o sentimento, mesmo que discorde da avaliação do filho sobre o professor.
- Em uma reunião de trabalho, escutamos o colega que está insatisfeito com a estratégia da empresa. Mesmo que percebamos que a estratégia faz sentido, validamos a vivência de desconforto dessa pessoa, sem precisar mudar imediatamente de ideia.
- Entre amigos, acolhemos a dor de quem terminou um relacionamento, mesmo se sabemos, racionalmente, que a separação era o melhor para todas as partes. Aqui, entendemos a dor e oferecemos presença, sem precisar dizer que concordamos ou discordamos dos motivos.

Os riscos de confundir empatia com concordância
Quando confundimos os dois conceitos, caímos em armadilhas delicadas na convivência. Já vimos pessoas evitando o contato, pois acreditam que só podem escutar se estiverem de acordo. Vimos, também, profissionais receosos de demonstrar empatia por medo de serem mal interpretados como cúmplices de algo que, de fato, reprovam.
Empatia não é adesão, nem sinal de fraqueza. É sinal de maturidade emocional. Convivências saudáveis se constroem a partir do respeito, da escuta, da validação das emoções do outro, mas nunca abrindo mão da própria integridade ou opinião.
Como discernir no dia a dia?
Pela experiência, sugerimos alguns passos para praticar empatia sem cair no automatismo de concordar:
- Escute genuinamente. Suspenda julgamentos e diagnósticos rápidos;
- Valide emoções: frases como “eu entendo que isso é difícil para você” geram conexão;
- Sinta com o outro: “eu posso imaginar o quanto isso dói”;
- Deixe clara sua posição, quando necessário, sem desqualificar o sentimento alheio. Exemplo: “Eu entendo sua dor, embora veja essa situação de forma diferente”.

Esses passos refletem a importância de nutrirmos ambientes em que a escuta precede a conclusão. A educação emocional é o solo fértil onde empatia e clareza de princípios convivem lado a lado.
Quando empatia transforma o coletivo
Pesquisas destacam que ambientes marcados pela escuta empática geram mudanças profundas em equipes, famílias e grupos sociais. Ao contrário do que muitos acreditam, o simples fato de escutar com empatia pode reduzir polarizações e facilitar soluções criativas para antigos conflitos. Notamos que líderes emocionalmente maduros fortalecem o senso de pertencimento sem abrir mão da autenticidade.
Falamos de um conceito amplo, que se encaixa também na prática da meditação e nas discussões de filosofia. Tanto uma abordagem quanto outra têm mostrado que a empatia é um ponto de partida para o diálogo genuíno.
Empatia sem concordância: o que ganhamos?
Ao exercermos empatia sem necessariamente concordar:
- Promovemos ambientes mais seguros para divergências e crescimento humano;
- Reduzimos conflitos e mal-entendidos;
- Fortalecemos o respeito mútuo;
- Desenvolvemos maturidade coletiva e pessoal;
- Respeitamos limites pessoais e evitamos esgotamento emocional;
- Encorajamos autenticidade e confiança nas relações.
Esses ganhos contribuem para sociedades mais equilibradas, justas e cooperativas.
Quando refletimos sobre empatia, sempre lembramos do papel transformador que ela exerce no coletivo. Equipes produtivas, famílias acolhedoras e líderes éticos costumam compartilhar este traço: sabem colocar-se no lugar do outro sem perder sua própria visão.
Praticar não é linear, mas merece dedicação
Em nossas discussões sobre empatia, ficou claro que essa habilidade pode – e deve – ser treinada. Assim como o conhecimento em psicologia, filosofia e meditação ampliam nossas possibilidades de convivência, desenvolver empatia verdadeira é um convite à humanidade em seu melhor. Não estamos falando de anular-se, mas de se abrir ao outro. E só por isso, cada vínculo se fortalece.
Para nos aprofundarmos, vale visitar temas ligados à educação emocional e à construção saudável das relações em nossa sociedade. Isso, sem dúvida, nos aproxima da consistência ética e emocional capaz de transformar qualquer grupo, empresa ou comunidade.
Conclusão
Portanto, reforçamos: empatia é a arte de reconhecer e validar o sentimento do outro, independentemente de concordância ou discordância. Praticar empatia sem abrir mão dos próprios limites é chave para uma convivência mais humana, autêntica e saudável. E ao fazermos isso, fortalecemos o tecido emocional das relações que sustentam nossas vidas e sociedades.
Perguntas frequentes sobre empatia e concordância
O que é empatia nas relações sociais?
Empatia nas relações sociais é a capacidade genuína de perceber, compreender e se conectar com as emoções e experiências de outra pessoa, sem necessariamente precisar compartilhar da mesma opinião ou sentimento. É uma escuta ativa e acolhedora, permitindo ao outro sentir-se visto e respeitado em sua individualidade.
Qual a diferença entre empatia e concordância?
A diferença está no foco: empatia é entender e validar o sentimento do outro, enquanto concordância diz respeito a compartilhar a mesma visão, crença ou opinião. É possível ter empatia sem precisar concordar com tudo, pois empatia depende da conexão emocional, e não da identidade de ideias.
Por que empatia não é o mesmo que concordar?
Empatia não é o mesmo que concordar porque, ao sermos empáticos, reconhecemos e acolhemos emoções e experiências, mas mantemos nossa própria perspectiva. Concordar implica adotar a mesma interpretação ou visão sobre determinada situação, o que nem sempre é necessário para uma relação saudável e respeitosa.
Como praticar empatia sem concordar?
Para praticar empatia sem concordar, sugerimos escutar com atenção, validar os sentimentos do outro ("Eu entendo como isso te afeta"), demonstrar respeito pela experiência vivida, e, se for o caso, expressar sua opinião de forma clara e gentil, sem desqualificar a emoção do outro. Essa postura fortalece vínculos verdadeiros e respeitosos.
Empatia ajuda a melhorar relacionamentos?
Sim, empatia é um fator fundamental para fortalecer os relacionamentos. Ao demonstrar empatia, mesmo sem concordar em tudo, criamos ambientes de confiança, escuta mútua e crescimento coletivo. Isso contribui para resolver conflitos, aproximar as pessoas e desenvolver maturidade emocional nas relações.
